Meu menino primeiro está crescendo e, embora seja tudo que mais queiramos na vida, vê-los crescendo e dependendo menos de nós, é também um bom soco na boca do estômago.
O meu bebezinho agora discute comigo sobre música, política e religião… Ele questiona a existência de Deus e afirma que caráter vem de nós mesmos e não da iminência de punição – divina ou judicial.
Ele fala de preconceito como algo muito distante dele, mas real. E, algumas vezes, me cobra posturas menos preconceituosas. Ele cobra isso de mim! Eu, que o ensinei a ser livre!
Discute a qualidade da guitarra do Slash diante da grandeza de Jimmi Hendrix… (Isso já passou, porque agora tem Yes, King Crimson… Tanta coisa que eu não conheço!) Debocha da minha queda por Jorge e Matheus e acha minhas divas da MPB umas chatas, que cantam música de velho… Mas, Beatles não! “Mãe, a música dos Beatles é eterna!” Ora, vejam só!
Meu menino tece críticas à direita e à esquerda e conclui que não existe mais nem uma nem outra. Ele lê a biografia do Marighella, Thomas Mann e Nietzsche.
Meu menino fez já 20 anos e está descrente da política brasileira. Mas, ele quer votar… Ah quer! Ele tem planos….Ele tem dentro de si a revolução.
Meu menino sente a minha falta. Reclama que estou sempre com o nosso número 2 ou no celular. Ele questiona tudo que amo, que ouço, que penso! Me indica livros, músicas!
Mas, em todo o tempo fica óbvia a minha personalidade na dele. O querer saber. O ousar discutir. A coragem de não se esconder! De expor suas ideias!
Com o upgrade de que ele é muito, mas muito mais inteligente que eu! Ah, ele é!
Meu menino será um sofredor como eu! Alguém que se estraçalha pelo que pensa, mas não se cala.
Meu menino, o mundo inteiro está a seus pés! Siga!