Com o fim dos rituais fúnebres do papa Francisco, o Vaticano volta suas atenções para a escolha de seu novo líder.
A partir de 7 de maio, 133 cardeais com menos de 80 anos se reunirão na Capela Sistina, em Roma, para eleger o próximo pontífice da Igreja Católica.
Especialistas indicam que o perfil mais buscado será o de um papa capaz de dar continuidade e consolidar as reformas iniciadas por Francisco.
O início do Conclave será marcado pela histórica fórmula em latim “Extra omnes” — “fora todos” —, pronunciada pelo mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, ordenando a saída de todos que não fazem parte do processo de eleição.
A partir daí, os cardeais eleitores ficarão isolados do mundo exterior, dentro da Capela Sistina, até que a fumaça branca anuncie ao mundo: temos um novo papa.
A data de início foi definida hoje (28), durante a quinta Congregação Geral no Vaticano, com a presença de cerca de 180 cardeais, sendo pouco mais de 100 eleitores.
A missa “pro eligendo Pontifice”, presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, será celebrada na manhã de 7 de maio, seguida da solene procissão até a Capela Sistina. Ali, ao som do hino Veni, Creator Spiritus, os cardeais prestarão juramento antes da primeira votação.
De acordo com as normas da constituição apostólica Universi Dominici Gregis, estabelecida por João Paulo II e atualizada por Bento XVI, o Conclave deve ocorrer entre o 15º e o 20º dia após a morte do Papa.
No entanto, se todos os eleitores já estiverem presentes, como neste caso, o início pode ser antecipado. Como prevê o rito, serão realizadas até quatro votações diárias (duas pela manhã e duas à tarde), exigindo-se maioria qualificada de dois terços para a eleição. Caso cheguem a 33 ou 34 votações sem consenso, haverá um turno direto entre os dois mais votados, mas a exigência de dois terços permanece.
O vaticanista Filipe Domingues, doutor pela Pontifícia Universidade Gregoriana e diretor do Lay Centre de Roma, explica a CNN que, historicamente, a liderança da Igreja costuma alternar entre perfis de papas carismáticos e mais reservados. “Após a força midiática de João Paulo II, veio o perfil mais contido de Bento XVI, e assim por diante”, analisa.
Diferente de 2013, este Conclave não ocorre sob a pressão por grandes reformas, mas sim com a necessidade de consolidar mudanças já em curso. “É o momento de um papa de continuidade, que talvez tenha estilo próprio, mas sem romper com a linha reformista de Francisco”, destaca Domingues.
Hoje, a maioria dos cardeais eleitores foi nomeada pelo próprio Francisco (108 dos 135), refletindo uma Igreja mais globalizada: 53 europeus, 23 asiáticos, 18 africanos, 17 sul-americanos, 16 norte-americanos, além de representantes da América Central e Oceania.
Entre os nomes mais citados para novo papa estão:
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Pietro Parolin — Italiano e secretário de Estado do Vaticano, é reconhecido por sua habilidade diplomática, mas carrega certo desgaste por questões administrativas.
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Matteo Zuppi — Também italiano, presidente da Conferência Episcopal Italiana, é considerado favorito por seu perfil conciliador e atuação em processos de paz.
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Pierbattista Pizzaballa — Arcebispo do Patriarcado Latino de Jerusalém, com ampla experiência em zonas de conflito.
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Luis Antonio Tagle — Filipino, apelidado de “o Francisco asiático”, admirado por sua simplicidade e trabalho social.
Outros nomes frequentemente mencionados incluem Jean-Marc Aveline (França), Mario Grech (Malta), José Tolentino de Mendonça (Portugal), Robert Francis Prevost (EUA) e Arthur Roche (Reino Unido).
Há ainda citações a candidatos conservadores, como Peter Erdő (Hungria) e Robert Sarah (Guiné), mas analistas apontam que a corrente conservadora é minoritária entre os eleitores atuais.
Diferentemente do último Conclave, os cardeais brasileiros, como Dom Sérgio da Rocha (arcebispo de Salvador), aparecem com menos destaque entre os favoritos. Analistas consideram improvável a eleição de outro latino-americano logo após Francisco.
O novo papa herdará uma Igreja em transformação, marcada por tensões internas, desafios diplomáticos e a necessidade de continuar reformas. Mais do que carisma ou nacionalidade, a eleição parece caminhar para a busca de alguém capaz de unir e consolidar.
Após a eleição, o recém-escolhido será questionado se aceita o cargo e qual nome pontifício escolherá.
Em seguida, as cédulas serão queimadas, produzindo a tradicional fumaça branca.
O novo Papa vestirá os paramentos papais na chamada “Sala das Lágrimas” e aparecerá na varanda da Basílica de São Pedro para o anúncio solene: Habemus Papam