Depois de uma longa espera, em que as escolas de samba chegaram até a decidir não desfilar no Carnaval de 2025, dedicando o ano passado à reorganização financeira e estrutural, o samba voltou a brilhar na avenida da Ilha do Lazareto, na noite de ontem, sábado (14).
A noite começou com a presença de centenas de foliões que lotaram as arquibancadas e acompanharam, com muita empolgação, o retorno dos desfiles que celebram cultura, identidade e comunidade. A mesma tradição que, há anos, faz parte do coração do Carnaval além-paraibano.
Império do Matadouro — “Do lixo ao luxo”
A primeira escola a entrar na avenida trouxe um enredo que misturou crítica social e conscientização. Inspirado em um samba antológico, o Império do Matadouro fez uma ode à reciclagem e à transformação, mostrando que arte e reflexão podem caminhar lado a lado.
Com versos como “Matadouro vem aí, vai sacudir essa cidade, na avenida dá um show, reciclar é necessidade”, a escola deu inicio a noite de desfiles, unindo ritmo e consciência em uma homenagem à importância de preservar a vida e o meio ambiente.
Unidos do Santa Rosa: “Medo”
O Acadêmicos do Santa Rosa fez o público pensar e sentir com um enredo impactante sobre o medo, suas faces, seus efeitos e sua superação. A escola transformou sensações universais em imagens, alegorias e uma bateria envolvente, mostrando que o medo pode ser também fonte de coragem, resistência, e claro, samba no pé.
O desfile destacou como sentimentos que muitas vezes paralisam podem servir de impulso para mudar histórias.
Mocidade Independente da Cidade Alta: “Brasil, um país miscigenado”
Celebrando a diversidade e a riqueza das raízes brasileiras, a Mocidade Independente entregou um enredo vibrante sobre a miscigenação. Com as cores vermelho e branco dominando a passarela, a apresentação valorizou a mistura de culturas que forma a identidade do Brasil — da ancestralidade indígena à herança africana e europeia.
A escola emocionou o público ao reafirmar que, na pluralidade, está a verdadeira grandeza do nosso povo.
União da Colina: “Deuses – Da Mitologia a Criação”
Com um enredo que percorreu mitologias do mundo inteiro, das tradições africanas às lendas egípcias, passando pelo sagrado e pelo cosmológico, a União da Colina trouxe profundidade, ancestralidade e poesia à avenida.
Misturando raízes culturais e religiosidade com símbolos que atravessam séculos e continentes, a escola encantou pela criatividade e pela forma como conectou crenças antigas ao espírito do Carnaval.
Unido Três Corações: “Vermelho, que te quero, vermelho”
Para fechar a noite com alegria, a Nação Tricordiana chegou com um enredo festivo e acolhedor, celebrando o amor pela escola de samba. O clima contagiante tomou conta da avenida, com samba, muitos corações e sorrisos, encerrando o desfile com chave de ouro.
O retorno dos desfiles das escolas de samba não foi apenas um espetáculo visual: foi um reencontro com uma tradição que pulsa na alma da cidade.