Duas mulheres foram vítimas de feminicídio em um intervalo de cerca de 50 minutos, na noite de segunda-feira (17), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O primeiro crime aconteceu por volta das 19h41, no bairro Funcionários. Silvani Paulino de Oliveira Miranda, de 37 anos, foi morta a tiros enquanto trabalhava como manicure no salão de beleza que mantinha no imóvel onde morava. A filha dela, de 17 anos, presenciou o assassinato.
Cerca de 50 minutos depois, às 20h32, a Polícia Militar foi acionada para outro feminicídio, desta vez no bairro Jardim dos Bandeirantes. Thaís Gonçalves Pincer, de 26 anos, foi esfaqueada e atropelada ao chegar em casa.
Os companheiros das vítimas são apontados como suspeitos dos crimes. O marido de Silvani, Alisson Miranda Pedrosa, de 37 anos, foi preso nesta terça-feira (18), em Conselheiro Lafaiete. Segundo a Polícia Militar, ele confessou o crime. Já o ex-namorado de Thaís, de 31 anos, ainda é procurado.
Silvani foi morta enquanto trabalhava
Silvani tinha 37 anos, trabalhava como manicure e deixou três filhos, de 9, 15 e 17 anos.
Segundo testemunhas, ela atendia uma cliente quando o marido chegou à porta do salão, apagou a luz e efetuou vários disparos. A filha do casal, de 17 anos, presenciou o crime.
A perícia identificou seis ferimentos provocados por tiros nas costas e recolheu cinco estojos de munição calibre 9 milímetros. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou a morte no local.
Após o crime, o suspeito fugiu e foi localizado na tarde de terça-feira (18), em uma padaria de Conselheiro Lafaiete.
De acordo com a Polícia Militar, ele comprava um chip de celular quando foi abordado. Uma pistola e munições foram encontradas no carro utilizado por ele, e o homem foi encaminhado para uma delegacia.
Ainda segundo a PM, o suspeito confessou o feminicídio e afirmou que “perdeu a cabeça”. Ele alegou uma motivação passional e mencionou uma suposta traição.
A Polícia Civil informou que não havia histórico de violência doméstica envolvendo o casal. Uma vizinha, no entanto, relatou que Silvani já havia falado sobre se separar do marido.
Thaís teria sido perseguida pelo ex-namorado
Thaís Gonçalves Pincer tinha 26 anos e, segundo uma sobrinha, havia terminado o relacionamento com o ex-namorado e vinha sendo ameaçada e perseguida por ele.
Na noite do crime, Thaís havia acabado de chegar à rua onde morava em um carro de aplicativo quando, conforme relato de uma testemunha, o ex-namorado apareceu com uma faca, ameaçou o motorista e passou a perseguir a vítima.
Segundo a Polícia Militar, o homem derrubou Thaís e desferiu vários golpes de faca contra ela. Em seguida, ainda conforme o boletim de ocorrência, subiu em uma motocicleta e passou com o veículo sobre a vítima antes de fugir.
Uma sobrinha de Thaís relatou que a jovem havia terminado o relacionamento porque era agredida com frequência. Depois da separação, segundo a familiar, as ameaças e perseguições continuaram porque o ex-namorado não aceitava o término.
Pouco antes do crime, Thaís telefonou para a sobrinha e disse que estava voltando do trabalho e sendo perseguida pelo ex. A familiar foi até o local, ouviu pedidos de socorro e viu o suspeito fugindo.
O homem, de 31 anos, ainda é procurado pela polícia.
Até o momento, não há indicação de que os dois feminicídios tenham relação entre si, além de terem ocorrido na mesma cidade e em um intervalo de aproximadamente 50 minutos.
No caso de Silvani, a investigação deverá esclarecer a motivação do crime, confrontar a versão apresentada pelo suspeito com os demais elementos apurados e verificar se a arma apreendida foi utilizada no assassinato.
Já no caso de Thaís, a polícia tenta localizar o ex-namorado e deverá apurar o histórico de ameaças e agressões relatado pela família, além das circunstâncias que antecederam o crime.
Fonte: G1