Um caso triste e comovente relatado por uma moradora de Além Paraíba tem gerado repercussão e mobilização após a morte de sua filha recém-nascida no Hospital São Salvador (HSS). A mãe, que estava grávida de 39 semanas, contou ao Portal Holofote Brasil o que ocorreu, na esperança de que situações como a que viveu não se repitam.
Segundo o relato, na sexta-feira, 30 de maio, ela deu entrada no hospital com contrações, mas teve que aguardar cerca de três horas até a chegada do obstetra, que ao chegar, a avaliou e concluiu que ela não estava em trabalho de parto. Ainda segundo a paciente, foi dada a ela a opção de permanecer internada ou voltar para casa, e, sendo assim, a mesma optou por ir embora.
No dia seguinte, sábado (31), a gestante voltou ao hospital com dores e secreções, mas foi novamente liberada. “Me mandou pra casa, pois segundo ela (obstetra), estaria com contrações de acomodação. Me falou que, caso as dores aumentassem, voltasse — e que torcesse para não entrar em trabalho de parto, pois naquele dia não havia anestesista”, relatou.
Na segunda-feira (2), após relatar à sua médica os episódios do fim de semana, foi orientada a procurar novamente o hospital. Desta vez, afirmou ter sido recebida com impaciência pelo mesmo obstetra da sexta-feira. Após exame, foi administrada uma medicação intravenosa e a paciente foi liberada mais uma vez.
Somente na quarta-feira (04) à noite, com contrações ainda mais intensas, ela retornou ao hospital e foi diagnosticada com trabalho de parto. Submetida a uma cesariana, relata ter notado o silêncio na sala de cirurgia.
“Perguntei pela minha filha ao anestesista, porque não ouvi ela chorar”, relatou. A bebê nasceu às 21h35 e faleceu às 23h40, conforme registrado em atestado de óbito. A causa foi “asfixia perinatal, sofrimento fetal agudo, síndrome de aspiração de mecônio e circular de cordão”.
À reportagem do Holofote Brasil, a mãe declarou acreditar que houve negligência médica. “Com toda certeza. Não houve interesse em detectar o porquê das dores e das contrações. Em nenhum momento se interessaram em me deixar em observação. Minha gravidez foi tranquila, sem nenhuma anormalidade. Sinto que fui ignorada.”
O caso foi levado ao plenário da Câmara Municipal de Além Paraíba. O presidente da Casa Legislativa, vereador Davi da Paz, considerou a situação “inadmissível” e garantiu que medidas serão tomadas. “Nós vamos fazer isso chegar ao Ministério Público”, declarou.
O Portal Holofote Brasil segue acompanhando o caso e aguarda manifestação oficial do Hospital São Salvador e da Secretaria Municipal de Saúde. O espaço segue aberto para todos os envolvidos se pronunciarem.