Ao menos três pessoas morreram após um possível surto de hantavírus em um cruzeiro que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde. O caso está sendo investigado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que afirma não haver motivo para pânico ou restrições de viagem, destacando que o risco para a população em geral é baixo.
O hantavírus não é um vírus novo e costuma ser transmitido por roedores silvestres. A infecção ocorre, principalmente, pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais, especialmente em locais fechados. A transmissão entre pessoas é considerada rara, mas já foi registrada em países como Argentina e Chile, associada à cepa conhecida como hantavírus Andes.
Os primeiros sintomas costumam incluir febre, dor muscular, cansaço, dor de cabeça, náuseas e vômitos. Com a evolução da doença, o quadro pode se agravar rapidamente, levando a falta de ar, insuficiência pulmonar e, em casos mais graves, comprometimento cardíaco.
Não há tratamento específico para a infecção, sendo indicado suporte médico, com hidratação, repouso e controle dos sintomas. A taxa de letalidade pode chegar a cerca de 38%.
No Brasil, os casos são mais frequentes em áreas rurais. Entre 2007 e 2024, foram confirmadas 1.386 infecções e 540 mortes, segundo o Ministério da Saúde.
Autoridades de saúde da Suíça confirmaram um caso ligado ao surto no cruzeiro. Exames realizados em Genebra identificaram a cepa andina do vírus em um paciente hospitalizado em Zurique.
“Realizamos um teste PCR em várias amostras, que deram positivo para hantavírus. Nesse contexto, pudemos confirmar que se tratava de fato da espécie andina”, afirmou a médica Pauline Vetter, dos Hospitais Universitários de Genebra.
De acordo com a OMS, todos os casos conhecidos até o momento estão associados à embarcação. A representante da organização, Maria Van Kerkhove, informou que um paciente segue em terapia intensiva na África do Sul, mas apresenta melhora, enquanto outros foram transferidos para tratamento na Europa.
As autoridades continuam monitorando contatos em diferentes países e reforçam que medidas de vigilância estão em andamento para conter a disseminação do vírus.
Fonte: CNN Brasil