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Nenhum estado brasileiro atinge meta de vacinação contra o sarampo

Cobertura com duas doses está abaixo de 80% no país; avanço da doença nas Américas preocupa autoridades de saúde.
Foto: Adobe Stock

Nenhum estado brasileiro atingiu, até o momento, a meta de vacinação contra o sarampo em 2026. Segundo levantamento divulgado pelo g1, a cobertura nacional com duas doses da vacina tríplice viral entre crianças menores de 2 anos está abaixo de 80%, distante da meta de 95%.

Minas Gerais está entre os estados com os melhores índices, com 86,05%, ao lado do Paraná, com 86,76%, e do Ceará, com 86,69%. As menores coberturas foram registradas no Amapá, com 63,59%; Pará, com 67,02%; Maranhão, com 69,66%; e Rio de Janeiro, com 69,74%. Os dados deste ano ainda são parciais.

O cenário brasileiro ocorre em meio ao avanço da doença nas Américas. Nos Estados Unidos, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizaram 4.410 casos confirmados até 15 de outubro de 2026, quase o dobro dos 2.289 registrados durante todo o ano de 2025. Foram identificados 42 novos surtos em 2026, e 96% das infecções estavam associadas a surtos iniciados neste ano ou no anterior.

A Pensilvânia é um dos principais focos da doença. Segundo o departamento estadual de saúde, em informação divulgada pela agência Reuters, o estado chegou a 1.317 casos em 21 de outubro, 31 a mais que na atualização anterior, publicada dois dias antes.

O avanço também provocou mortes. Em 20 de outubro, o CDC informou a confirmação do terceiro óbito por sarampo no país em 2026. O balanço federal, porém, apresentava diferença em relação aos registros estaduais: a Pensilvânia já havia informado cinco mortes associadas à doença até o dia 19. Segundo a Reuters, o levantamento nacional utiliza dados de mortalidade verificados pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde.

A queda na vacinação ajuda a explicar a vulnerabilidade dos Estados Unidos. De acordo com o CDC, a cobertura contra sarampo, caxumba e rubéola entre crianças do jardim de infância caiu de 95,2% no ano letivo de 2019–2020 para 92,4% em 2025–2026. O órgão alerta que comunidades com menor adesão à vacina favorecem a rápida disseminação do vírus quando ele é introduzido.

A preocupação se estende aos países vizinhos do Brasil. Em entrevista ao g1, o diretor do Departamento Nacional de Imunizações, Eder Gatti, destacou a situação do Peru, com cerca de 3 mil casos, e da Bolívia, que também enfrenta surtos. O Ministério da Saúde está reforçando a vigilância e intensificando a vacinação em municípios do oeste do Amazonas que fazem fronteira com o Peru.

O Brasil recuperou, em novembro de 2024, o reconhecimento de país livre da circulação endêmica do sarampo. Para preservar essa condição, o desafio é ampliar a cobertura e evitar que casos vindos de outros países provoquem transmissão contínua.

A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Além de alcançar quem ainda não recebeu a primeira dose, as ações de vacinação precisam garantir que as crianças completem o esquema no período recomendado.

Fonte: G1, CDC e Reuters.

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