Já somos mais de oito bilhões de pessoas no planeta e as projeções indicam que atingiremos a impressionante marca de 10 bilhões por volta de 2050. Muita gente ocupando espaço e consumindo recursos do planeta. Isso nos impõem diversos desafios, dentre eles, a capacidade de alimentar toda essa população sem ampliar as áreas agricultáveis substituindo áreas naturais imprescindíveis à qualidade de vida de toda essa população.
Nos nossos tempos, distanciamos do que é natural, perdendo a noção clara sobre o ciclo de vida dos nossos alimentos. Esse afastamento da natureza nos levou a cada vez mais priorizar alimentos industrializados e produzidos em larga escala com a ajuda de agrotóxicos, com um consumo excessivo de água e ocupando largas porções o território, destruindo ambientes naturais que são capazes de manter nossos serviços ecossistêmicos. O pior, é que já ocupamos cerca de 30% da Terra para produzir alimento. O que fazer?
O que décadas atrás seria considerada uma proposta utópica passou a ser reconhecida, agora, como uma necessidade urgente: ocupar os espaços urbanos com hortas e pomares, aumentando a cobertura vegetal da cidade e o aporte de alimento saudável para a população.
A produção de alimentos em ambientes urbanos apresenta-se como uma alternativa inovadora em cidades que pretendem ser resilientes aos impactos futuros das mudanças globais. Neste contexto, as hortas urbanas surgem como espaços estratégicos para promover a saúde no território. Elas propiciam a troca de saberes e o fortalecimento de uma concepção holística de saúde, estimulando a autonomia, o autocuidado e a participação social.
Em meio à crise climática e um futuro incerto sobre nossa capacidade de continuar produzindo alimentos de qualidade e a um preço justo, a chamada agricultura urbana desponta como importante estratégia para garantir a nossa segurança alimentar no futuro. Existem nos centros urbanos muitos espaços abandonados ou subutilizados que podem cumprir essa função.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) garante que as hortas urbanas podem ser muito mais sustentáveis e eficientes do que as tradicionais, chegando a produzir até 20 kg anuais de alimentos por m². A agricultura urbana está mudando a paisagem das cidades com milhares de pequenas explorações agropecuárias para consumo próprio que proliferam a nível do solo ou nos terraços dos edifícios.
Este movimento sustentável, que muitos países ainda não reconhecem como atividade formal, dá ocupação para 800 milhões de pessoas no mundo e, conforme a FAO, facilita o acesso à alimentos pelos cidadãos com menos renda. Para além da produção de alimentos, hortas urbanas podem ser fonte de educação para a construção de uma sociedade sustentável.
Além disso contribuem para a produção de alimentos saudáveis diminuído os impactos de doenças associadas à alimentação inadequada e ainda nos poupam do uso excessivo de agrotóxicos. Exemplos pelo mundo mostram que há uma crescente disposição da população em se envolver com a produção urbana de alimentos. Hortas também podem ser implantadas em coberturas e no interior de espaços coletivos, como shoppings. A produção de alimentos locais também diminui o uso indiscriminado e inadequado de áreas silvestres.
“Pensar globalmente e comer localmente” é um lema que se expande por sociedades que já se dedicam à construção de cidades “inteligentes” e sustentáveis. Tais hortas ainda expandem a cobertura vegetal, contribuem para a permeabilidade do solo, aumenta a umidade do ar e promovem biodiversidade, componentes essenciais para o combate às mudanças climáticas.