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Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e diz que ação ultrapassa limite aceitável entre países

Presidente brasileiro afirma que ofensiva norte-americana viola o direito internacional, ameaça a soberania venezuelana e reacende riscos de instabilidade na América Latina.
Foto: REUTERS/Adriano Machado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou neste sábado (3) o ataque militar realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela durante a madrugada, que resultou, segundo o governo norte-americano, na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Para Lula, a ofensiva representa uma grave violação da soberania venezuelana e do direito internacional.

Em nota oficial, o presidente brasileiro foi enfático ao criticar a ação dos EUA.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou Lula.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que forças norte-americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram Nicolás Maduro. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou não saber o paradeiro do líder do regime e pediu uma prova de vida.

Diante da ofensiva, o governo brasileiro convocou neste sábado uma reunião de emergência, com a participação de ministros, para discutir a resposta política do Brasil e avaliar os possíveis impactos da ação militar norte-americana sobre a América do Sul e o cenário internacional.

Lula também alertou que o ataque abre caminho para um ambiente global ainda mais instável.

“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, declarou.

Segundo o presidente, a posição do Brasil é coerente com a postura adotada em outras crises internacionais recentes, sempre em oposição ao uso da força.

“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, acrescentou.

O presidente brasileiro afirmou ainda que a ofensiva dos Estados Unidos remete a períodos históricos marcados por forte interferência externa na América Latina.

“A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, disse Lula.

Ele defendeu uma reação firme da comunidade internacional, especialmente por meio da Organização das Nações Unidas.

“A comunidade internacional, por meio da ONU, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, afirmou.

Desde o início da escalada de tensão entre Estados Unidos e Venezuela, Lula tem se posicionado contra qualquer tipo de intervenção militar na América Latina. Em manifestações públicas, o presidente brasileiro afirmou já ter tratado do tema diretamente com Donald Trump e reiterou que divergências entre países devem ser resolvidas pelo diálogo, preservando a América do Sul como uma zona de paz.

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