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Falta de médicos sobrecarrega e prejudica hospitais da Zona da Mata

No caso do Hospital São Salvador, em Além Paraíba, o relatório da vigilância sanitária indica quase 200 irregularidades que comprometem o funcionamento dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva e do centro cirúrgico.
(Foto: Redes sociais)

Há cerca de dois meses, pacientes que necessitam de anestesistas sofrem com a falta de médicos dessas e de outras especialidades na Casa de Caridade Leopoldinense, em Leopoldina, e no Hospital São Salvador, em Além Paraíba.

Desde o fim do ano passado, a Casa de Caridade está sob intervenção administrativa, após operação realizada pelo Ministério Público, que resultou na prisão de quatro médicos acusados de cumprirem plantões em outras cidades no mesmo horário em que deveriam atender pacientes do SUS no hospital de Leopoldina.

Segundo o atual interventor e secretário de Saúde do município, Márcio Machado, a falta de profissionais, como obstetras, já ocorria desde outubro, mas, após a operação, o hospital ficou sem nenhum anestesista.

“Conseguimos trazer alguns profissionais, já tivemos até uma semana inteira com anestesistas, mas eles não são fixos no hospital. Estamos em transição, estamos em contato com esses profissionais para que venham para cá, e acreditamos que, em março, teremos uma solução definitiva”, afirmou.

Conforme a faxineira Flaviane Cristina Silva, que pariu há um mês, ela procurou a Casa de Caridade Leopoldinense por estar com pressão alta, mas não havia obstetra nem anestesista de plantão. Por isso, precisou ser transferida para Cataguases, onde o parto ocorreu.

Já no início deste mês, uma gestante de 32 anos foi atendida por uma obstetra na Casa de Caridade, mas, devido ao estado grave de saúde, foi transferida para o Hospital João Penido, em Juiz de Fora, onde morreu.

O interventor explica que, de fato, no dia em que a gestante foi atendida em Leopoldina não havia anestesista. No entanto, “a situação em que a gestante se encontrava necessitava de um atendimento de maior complexidade e, por isso, a obstetra solicitou a transferência”.

Já em Além Paraíba, a intervenção ocorre desde 2022, quando o conselho diretor, médicos e outros funcionários foram afastados por suspeita de desvios de recursos públicos e por baterem ponto sem prestar atendimento na unidade.

Situação sobrecarrega atendimento na região

A situação tem impactado diretamente o atendimento à população no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Cataguases, que está recebendo os fluxos alternativos da rede de urgência e emergência devido à falta de médicos plantonistas em algumas especialidades em Leopoldina e Além Paraíba.

Grazielle de Almeida Vecchia, interventora da unidade, afirma que está assumindo praticamente toda a demanda de cirurgias, partos e emergências das duas cidades. O hospital de Cataguases também está sob intervenção da Prefeitura e chegou a enfrentar falta de profissionais, mas conseguiu completar o quadro de funcionários.

De acordo com o promotor de Justiça Rodrigo Barros, foi dado um prazo até 15 de fevereiro deste ano para que Leopoldina e Além Paraíba resolvessem os problemas e suprissem a escassez de profissionais, mas o prazo não foi cumprido.

Irregularidades

As investigações da Promotoria de Saúde de Leopoldina, em conjunto com o Ministério Público, começaram em 2020 para apurar a execução de plantões simultâneos em locais e hospitais distintos, cirurgias eletivas nos dias de plantão de urgência e anestesias realizadas pelos médicos investigados da Casa de Caridade Leopoldinense.
Com a evolução das apurações, foi constatada a prática de delitos ainda mais graves, que geraram a exposição dos pacientes a riscos concretos, como:

• Cirurgias e anestesias eletivas foram realizadas pelos profissionais durante a escala de sobreaviso da urgência e emergência;
• Esquema de manipulação de escalas médicas, cirurgias simultâneas/sequenciais e cirurgias eletivas durante o plantão SUS, com a prática do crime de falsidade ideológica;
• Combinações de versões, falsidades documentais médicas e manipulação de documentos importantes.

As investigações também revelaram práticas fraudulentas, ocultação de erros médicos e até subtração de materiais necessários à realização de cirurgias. No caso do Hospital São Salvador, em Além Paraíba, o relatório da vigilância sanitária indica quase 200 irregularidades que comprometem o funcionamento dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva e do centro cirúrgico.

O MP também apontou a falta de médicos. A administração informou que os casos graves ou cirúrgicos são encaminhados para hospitais da região e que um plano de ação está sendo elaborado para reverter a situação.

Fonte: G1 Zona da Mata
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