O Rio de Janeiro parou no sábado, 3 de maio de 2025, para receber Lady Gaga em um espetáculo histórico na Praia de Copacabana.
Com público estimado em 2,1 milhões de pessoas, o show gratuito não apenas marcou a carreira da artista, mas consolidou o evento como um dos mais impactantes para a economia carioca nos últimos anos.

De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e da Riotur, o evento movimentou cerca de R$ 600 milhões, número 27,5% superior ao registrado no show de Madonna em 2024.
Com um investimento total de R$ 92 milhões — cerca de 53% a mais do que o custo da apresentação de Madonna — o show contou com R$ 30 milhões em aportes públicos, divididos igualmente entre a Prefeitura e o Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Os R$ 62 milhões restantes vieram da iniciativa privada, com destaque para marcas como Santander e Corona, que lideraram o apoio ao evento e adquiriram os principais pacotes de patrocínio, assim como 99, C&A e Zé Delivery. Cada uma dessas empresas investiu R$ 9,5 milhões.
Segundo dados da organização, aproximadamente 90% do orçamento foi coberto por patrocinadores privados e apenas 10% por empresas públicas, como o próprio Governo do Estado. A Bonus Track, produtora responsável pelo show de Lady Gaga, contou com o patrocínio de 12 marcas no total.
Entre os patrocinadores estão: Corona, Santander, LATAM, Zé Delivery, Beats, Guaraná Antarctica, C&A, TRESemmé, 99, Eventim, Kefler e Deezer, que repetiu sua presença como player oficial. A TV Globo, responsável pela transmissão do show, comercializou oito cotas de patrocínio.
A movimentação econômica teve como principais motores os setores de turismo, hotelaria, gastronomia, transporte e comércio.
A ocupação hoteleira na capital chegou a 86,6% no dia 30 de abril, com bairros como Ipanema e Copacabana ultrapassando os 80%. A LATAM reportou aumento de 25% nos voos para o Rio e ocupação média de 90% nos assentos disponíveis.
A estimativa é de que 240 mil turistas tenham visitado a cidade, sendo 80% estrangeiros e 20% de outras regiões do Brasil. O gasto médio diário foi de R$ 590,40 para turistas internacionais e R$ 515,84 para os nacionais.
Já os moradores da Região Metropolitana, que representaram 85% do público — cerca de 1,36 milhão de pessoas —, tiveram gasto médio diário de R$ 133,60. A permanência média na cidade variou entre três e quatro dias, potencializada pelo feriado do Dia do Trabalho, em 1º de maio.
A movimentação intensa também impactou diretamente a arrecadação fiscal. A Prefeitura estima um aumento de R$ 24 milhões em impostos, com destaque para o ISS (Imposto sobre Serviços), refletindo o aquecimento do comércio formal e informal.
O varejo também sentiu os reflexos: a expectativa do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do SindilojasRio era de crescimento de 2% nas vendas durante o feriado.
“O show da Lady Gaga, além de reforçar a nossa capacidade em sediar grandes eventos, promove o Rio como um destino turístico completo”, afirmou Bernardo Fellows, presidente da Riotur.
O espetáculo integra o calendário do projeto “Todo Mundo no Rio”, criado pela Prefeitura para trazer um grande show internacional gratuito à cidade todo mês de maio até, pelo menos, 2028.
A proposta visa dinamizar o turismo em um período de baixa temporada, com forte impacto positivo em empregos e renda.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, trata-se de uma política pública acertada:
“É mais que entretenimento. É desenvolvimento econômico, é comércio ativo, é a cidade pulsando.”
O prefeito Eduardo Paes também defendeu os investimentos:
“Vai gastar dinheiro público com a Lady Gaga? Vou. Com a Madonna gastei também. Sabe por quê? Porque enche todos os hotéis, enche todos os restaurantes”, declarou no podcast PodK Liberados.
Investir em cultura é investir na economia. O show de Lady Gaga mostrou, mais uma vez, que grandes eventos vão muito além do entretenimento: eles movimentam a cidade, impulsionam o turismo, aquecem o comércio, geram empregos e aumentam a arrecadação.
Quando bem planejados, esses espetáculos se tornam verdadeiras alavancas econômicas, transformando espaços públicos em vitrines globais e posicionando o Rio como destino estratégico para o calendário cultural internacional. Em tempos de debate sobre gasto público, os números falam por si: cultura dá retorno.