Na última sexta-feira, a Rotam, com o apoio do serviço de inteligência da Polícia Militar de Além Paraíba, realizou uma operação no bairro Goiabal e Morro do Cemitério, em desfavor do crime organizado e o tráfico de drogas.
Durante a ocorrência, dois indivíduos foram atingidos. Um deles, foi o jovem Júlio Porto. Segunda a ROTAM, o jovem estaria ligado ao tráfico de drogas e, ao iniciar um confronto com a corporação, os policiais revidaram. Júlio foi atingido e, não resistindo aos ferimento, veio a óbito.
Nas redes sociais, a família de Júlio se mostrou indignada com a morte do jovem. Prezando pela ética jornalística, o Holofote Brasil ouviu os familiares, que deram sua versão sobre o ocorrido.
Confira:
H = Holofote
F = Família
(fala da família mantida integralmente, sem alterações)
H – Ele de fato era ou já foi envolvido com o tráfico?
F – “Meu irmão, Julinho, nunca teve envolvimento com qualquer facção. Ele sempre foi medroso, desde criança. Apesar de a adolescência trazer um pouco de coragem, meu irmão não tinha envolvimento algum com esse tipo de coisa.”
H – Onde ele estava no momento da operação?
“Ele estava na escada de casa quando tudo aconteceu. Viu os policiais subindo de maneiras hostil, correu e foi ameaçado de levar tiro se continuasse a correr. Parou, virou com as mãos levantadas e foi covardemente baleado.”
F – Ele estava armado no momento em que a ROTAM se depara com ele?
“Claro que não! Júlio nunca possuiu armas, minha família nunca deixaria, nem se ele quisesse. Como citei, além de ter um pouco de medo, Júlio tinha valores e jamais pegaria numa arma”
H – Quem era Júlio (aqui a família diz sobre Júlio, idade, com o que trabalhava…)?
F – “Eu não conheço o outro rapaz, mas vi meu irmão chegar em casa, assim que nasceu. Eu acompanhei o crescimento e desenvolvimento dele. Eu tinha apenas cinco anos quando ele chegou em casa, no colo da minha mãe, eu senti um ciúmes tremendo dele mas, com o passar do tempo, eu ganhei um amigo, um cúmplice, um aliado para as nossas farras de criança.
Julinho sempre foi uma criança manhosa, chorão, não podia ver ninguém chorar e, quando ele chorava, sempre comparecia a todos. Eu e ele brigávamos muito, a beça, mas nada que durasse mais de dois minutos. Quando adolescente, sempre encantou as pessoas pelo seu jeito de ser.
Magrelinho, educado, bobo as vezes, não via maldade nas pessoas e nem possuía. Sempre foi muito afetuoso com todos que se aproximavam dele. Julinho começou a trabalhar bem novo, como jovem aprendiz. Depois, se descobriu como barbeiro e estudou, fez vários cursos pra se aperfeiçoar, compramos equipamentos pra ele, eu estava pra comprar a cadeira que ele me pediu… Júlio se dedicava em tudo o que fazia.
Era um ótimo atacante no futebol, sempre se destacava. As meninas ficavam doidas com ele, mas ele era apaixonado pela Pyetra, minha cunhada que aguarda um filho dele. Filho que ele estava apaixonado e ansioso pela chegada.
Julinho tinha planos, sonhos e muitos sonhos… sonhos que foram destruídos covardemente por pessoas que nem sequer sabiam quem ele foi e representava.”
H – Conclusão: diante dos fatos, o que a família tem a dizer a mais?
F – “Os polícias, após tirarem a vida do meu irmão, chegaram na minha avó e perguntaram quem ele era. Não sabiam o nome dele, perguntaram se ele tinha “vulgo”, Júlio não tinha. Insistindo perguntaram se um vulgo, pertencente a outra pessoa, era o dele e minha avó continuou dizendo que ele não possuía vulgo algum.
Como se não bastasse ter que ver corpo do neto sendo levado pelas pessoas que o mataram, foram covardes a ponto de perguntarem a ela, em prantos, quem era ele e, sem querer, afirmaram que se enganaram de pessoa. Mataram uma pessoa inocente!
Como se não bastasse, ainda inventaram mentiras e disseram que todo armamento, drogas e o escambau, foram achados com ele. Mais uma mentira pensada e friamente calculada!
Nós queremos que a justiça seja feita, em memória do Júlio, pelo sofrimento da minha mãe, pelo filho que ele aguardava e pela covardia que fizeram com ele, mais de uma vez!”
O Holofote Brasil também procurou o 52º Batalhão de Polícia Militar, em Além Paraíba, para esclarecimentos após a entrevista com a família, e obteve a seguinte resposta:
“Reafirmamos que esta foi uma ação policial legítima, e, reafirmamos novamente nosso compromisso com o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.”
Até o momento, não há informações sobre abertura de inquérito para apurar as circunstâncias da morte. Casos como este, em regra, são investigados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
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