A coisa que eu mais abominava quando saía na juventude eram as pirraças. Olhar aquela criança aos gritos, chutando, dando tapas na mãe, em público… me dava pânico.
Minha mãe falava que eu teria um filho pirracento para, segundo ela, “pagar a minha língua”! Aos 26 anos, tive meu primeiro filho e poderia ser a chance do “castigo”. Só que não! Theo foi um bebê adorável, uma criança adorável…
Nunca fez uma cena ridícula.
Segui segura e feliz, pensado estar livre da pirraça! 11 anos depois, nasceu Lorenzo. Um bebê igualmente calmo e bonzinho. Ele cresceria como o irmão, sem jamais me envergonhar ou irritar, com aquelas cenas de enlouquecer. Só que não!
Lorenzo tem quase 10 anos e tudo que ele fez e ainda faz – só que de maneira diferente hoje – de melhor é pirraçar! Por um pirulito, por um carrinho, para não ir embora de qualquer passeio, por dinheiro virtual, por tarefas…. Ele grita, esperneia, bate, arruma mala para se mudar, se enfia debaixo da cama ou foge para o quarto.
O que deixa a gente, que tem que contornar a pirraça, mais enlouquecido são os olhares de julgamento, que eu certamente lancei para muitos pais no passado. Se você ignora, não cuida do filho. Se age firmemente, não tem paciência. Se dá um bons tabefes… Meu Deus! É caso de polícia!
A pirraça não é falta de educação dos pais. É parte do temperamento da criança! O que faz a diferença é como esses pais vão lidar com ela. Hoje, eu entendo isso. Antes pensava como todos que me olham. Como se soubessem como resolver aquela crise.
Naquele momento, a gente deixa de odiar a pirraça e passa a odiar as pessoas! Então, minha gente! Menos olhares, menos julgamentos, menos intervenção! Deixe que os pais se entendam com suas crianças temperamentais sozinhos!
Tudo que não precisamos naquele momento horrendo é de alguém nos dizendo o que fazer. Já estamos tensos demais tendo que lidar com algo que NINGUÉM acha bonito.
Podem acreditar!!