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Vitória de Lula repercute na imprensa internacional e provoca manifestações de lideranças e do Greenpeace

Jornais destacam virada histórica, impactos na América Latina e desafios do quarto mandato; organização ambiental ressalta mobilização popular e cobra avanços do governo
Foto: LUIZA FLORENZANO/MODUSFOCUS/ESTADÃO CONTEÚDO

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25), ganhou destaque na imprensa internacional. A conquista do quarto mandato, a recuperação após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL) e as consequências do resultado para a América Latina estiveram entre os principais temas da cobertura. As reportagens também abordaram a contestação do adversário e os obstáculos políticos que aguardam o presidente.

Nos Estados Unidos, o The New York Times destacou a vitória de Lula sobre o movimento político liderado por Flávio Bolsonaro. Segundo a reprodução da cobertura feita pela Agência Brasil, o jornal apresentou o resultado como uma rejeição ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e lembrou a condenação do pai pela tentativa de golpe após a eleição de 2022.

O The Washington Post destacou que a reeleição de Lula interrompe o avanço da direita na América Latina.

No Reino Unido, o The Guardian ressaltou a virada histórica e a conquista do quarto mandato diante de Flávio Bolsonaro.

A BBC News, em reportagem republicada pelo MyJoyOnline, chamou atenção para o cenário que Lula encontrará depois da vitória: um Congresso hostil e um país dividido. A análise destacou que a campanha recuperou força com manifestações de rua e mobilização nas redes sociais, permitindo a reversão do resultado do primeiro turno em três semanas.

A emissora também observou que o resultado brasileiro contraria uma tendência regional de derrotas de governantes e ascensão de forças conservadoras. Apesar da recuperação eleitoral, a avaliação apresentada é de que o novo mandato começará sob fortes limitações políticas, dentro e fora do país.

Na CNN internacional, em texto assinado por Alessandra Freitas e republicado pela CBS 58, o destaque foi a recuperação de Lula e a recusa de Flávio Bolsonaro em aceitar o resultado. A reportagem classificou a eleição como um revés para o movimento bolsonarista e ressaltou que a disputa foi marcada por preocupações com custo de vida, criminalidade e corrupção.

A rede também registrou a promessa do adversário de recorrer à Justiça após a extensão do horário de votação e reproduziu o compromisso de Lula de ampliar a participação da população nas decisões do governo.

A agência Reuters enfatizou que Lula contrariou expectativas e venceu depois de ficar em segundo lugar na primeira votação. A cobertura relacionou o resultado a um freio na sequência de vitórias da direita latino-americana, mas também apontou dificuldades para o próximo governo, especialmente na relação com o Congresso e na economia.

Já o Financial Times dedicou espaço à recuperação da campanha e às repercussões econômicas da eleição. O jornal destacou a reversão das expectativas de investidores que apostavam na vitória de Flávio e os desafios relacionados à dívida pública e à composição mais conservadora do Congresso.

Na Espanha, o El País ressaltou a virada eleitoral e apresentou Lula como uma resistência à influência de Donald Trump na região, conforme o levantamento publicado pela Agência Brasil. O argentino Clarín também destacou a recuperação do presidente entre os dois turnos.

A repercussão se estendeu às manifestações de políticos estrangeiros. Nos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders parabenizou Lula em uma publicação no X e classificou o resultado como uma vitória extraordinária. Sanders associou a atuação do presidente à defesa dos trabalhadores brasileiros e da democracia, afirmando esperar a continuidade desse compromisso nos próximos quatro anos.

Na Europa, o presidente da França, Emmanuel Macron, parabenizou Lula pela reeleição em uma publicação no X e defendeu o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países. Macron destacou que França e Brasil têm muito a construir juntos e associou a amizade bilateral à busca por um mundo mais justo.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também felicitou Lula no X. “A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”, afirmou, em tradução livre. Ela ressaltou a continuidade da cooperação entre Europa e Brasil, com foco no comércio livre e aberto, na defesa de uma ordem internacional baseada em regras e em compromissos climáticos ambiciosos.

Segundo a Associated Press, as felicitações também vieram de lideranças com diferentes posições políticas. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, comemorou o resultado democrático; o presidente chileno, José Antonio Kast, destacou a continuidade da cooperação econômica e do combate ao crime organizado; e o equatoriano Daniel Noboa ressaltou os desafios comuns da região.

O Greenpeace Brasil também se pronunciou. Em nota publicada em seu site em 25 de outubro, a diretora executiva da organização, Carolina Pasquali, atribuiu o resultado à mobilização popular. Na avaliação da entidade, a reeleição de Lula tem relevância internacional por fortalecer a democracia e manter compromissos com a proteção da Amazônia e o enfrentamento das mudanças climáticas.

No Instagram, o perfil internacional @greenpeace destacou as manifestações no Brasil em uma publicação em inglês. A legenda associou a mobilização nas ruas à defesa da democracia diante da extrema direita e da interferência das grandes empresas de tecnologia. “A esperança não é algo que você assiste. É algo que você faz”, afirma a mensagem exibida no vídeo, em tradução livre. O texto da legenda não menciona diretamente Lula nem o resultado eleitoral.

Na nota em seu site, o Greenpeace Brasil ressaltou que a mobilização da sociedade continuará necessária durante os próximos quatro anos. A organização afirmou que seguirá cobrando do governo federal avanços concretos na agenda socioambiental e na transição energética justa, além de reafirmar seu compromisso com os povos indígenas, as comunidades tradicionais e as populações afetadas pela crise climática.

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