A semana começou com tensão total nos mercados financeiros do mundo inteiro.
O motivo? O novo tarifaço anunciado por Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, que reacendeu a guerra comercial com a China.
O efeito foi imediato: investidores entraram em modo defensivo, bolsas de valores despencaram e até o petróleo e o Bitcoin sofreram.
O Brent caiu para US$ 63,84, menor patamar desde abril de 2021. Já o WTI foi a US$ 60,35.
A queda de cerca de 3% vem do receio de que uma recessão global reduza a demanda por energia.
E o Bitcoin também teve um dia turbulento: caiu mais de 7%, voltando ao patamar de US$ 76 mil. Ethereum e Solana acompanharam a queda, com perdas próximas de 10%.
Com tanta instabilidade, bolsas ao redor do mundo ativaram o chamado circuit breaker — o botão de pausa das negociações acionado quando o pânico toma conta.
No fim de semana, o mercado futuro japonês já deu o alerta. O índice Nikkei 225 caiu mais de 8%, levando à interrupção de 10 minutos nas negociações.
Outros países asiáticos também abriram a semana no vermelho.
Mas afinal, o que é circuit breaker? É um mecanismo de proteção das bolsas de valores.
Funciona assim:
• Se cair 10% em relação ao fechamento do dia anterior, as negociações param por 30 minutos.
• Se continuar caindo e atingir 15%, a pausa é de 1 hora.
• Se a queda chegar a 20%, a Bolsa pode encerrar os negócios pelo resto do dia.
É uma forma de dar tempo para o mercado respirar e evitar decisões impulsivas que podem agravar a crise.
Esse tipo de paralisação já foi bastante usado em 2020, no auge da pandemia, quando o medo do impacto econômico paralisou o mundo. Só no Brasil, o circuit breaker foi acionado 6 vezes em março daquele ano.
Aqui no Brasil, o reflexo veio logo no início do pregão. O dólar comercial abriu o dia cotado a R$ 5,88 e, antes das 10h30, já subia 1%, chegando a R$ 5,90.
Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 1,86%, aos 124.890 pontos.
Lá fora, o cenário também era de queda generalizada.
Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 recuava 3,83%, e o STOXX 600 caiu mais de 4%, registrando o pior desempenho diário desde a pandemia.
Na Ásia, o clima foi ainda mais pesado: a Bolsa de Hong Kong teve a maior queda diária desde 1997, despencando 13,22%. O CSI 1000, da China, caiu 11,39%.
O que provocou tudo isso?
Os temores começaram na última quarta-feira (2), quando Trump anunciou seu plano de tarifas recíprocas — com taxas entre 10% e 50% sobre produtos de mais de 180 países.
Na sexta-feira (4), o clima esquentou de vez com a China anunciando sua retaliação: 34% de tarifas extras sobre as importações americanas.
Nesta segunda (7), o mercado também já reage à expectativa de uma resposta da União Europeia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está pronto para retaliação, mesmo mantendo a porta aberta para negociações com os EUA.
Ela anunciou a criação de uma “força-tarefa de vigilância de importações” e disse que a União Europeia vai agir como um “raio laser do comércio global” — ou seja, mirando além dos Estados Unidos.
A ideia é fortalecer o mercado único europeu e proteger os interesses do bloco.
As tarifas anunciadas por Trump foram uma das principais promessas de campanha dele — e agora voltam com força total. Ele detalhou que as maiores alíquotas incidem sobre produtos da Ásia, Oriente Médio e União Europeia, com destaque para tarifas acima de 40% em alguns casos.
Essa movimentação preocupa porque pode desencadear uma guerra comercial generalizada.
As reações globais mostram que o mercado está preocupado com o impacto dessas disputas no comércio internacional. O que começa com tarifas pode evoluir para inflação alta, consumo menor e atividade econômica em queda.
Não é só a tensão entre EUA e China. Com a União Europeia se posicionando, o cenário fica ainda mais delicado.
A percepção que ganha força é a seguinte: se os países entrarem numa escalada de tarifas, os preços sobem em cadeia. Produtos, serviços e até alimentos ficam mais caros, e isso acaba reduzindo o poder de compra da população. Quando o consumo trava, a economia desacelera. E quando várias economias entram nesse ritmo ao mesmo tempo, o mundo sente.