A Páscoa de 2025 deve ser mais cara para os consumidores, reflexo do aumento expressivo no preço do cacau.
Nos últimos dois anos, a commodity teve um salto de aproximadamente 180%, saindo de US$ 2,9 mil a tonelada para mais de US$ 8 mil, impulsionado pela queda na produção global.
A escassez do cacau ocorre devido a problemas climáticos que afetaram as safras em Gana e Costa do Marfim, que são responsáveis por cerca de 70% da produção mundial.
O Brasil, apesar de ser um produtor, não consegue suprir a demanda interna e precisa importar de países africanos, o que encarece os custos da indústria nacional.
Anna Paula Losi, presidente da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), destaca que a produção brasileira gira em torno de 190 mil a 200 mil toneladas ao ano, enquanto a indústria processa cerca de 230 mil a 240 mil toneladas, gerando um déficit que precisa ser suprido com importações.
A menor disponibilidade do cacau impacta diretamente a indústria de chocolates.
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) estima que haverá uma queda de 22,4% na oferta de ovos de Páscoa, totalizando 45 milhões de unidades.
Com a menor oferta e o aumento dos custos, os preços dos chocolates subiram de forma expressiva.
Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) indicam os seguintes aumentos:
• Chocolates em geral: +27%
• Bombons: +13,5%
• Ovos de Páscoa: +9,5%
Para evitar repassar integralmente o aumento dos custos ao consumidor, a indústria tem buscado alternativas, como a exploração de novos ingredientes e o desenvolvimento de produtos diferenciados.
Em 2024, as exportações de derivados de cacau cresceram 6,2%, e a produção de itens diversos aumentou significativamente.
Contudo, especialistas alertam para o impacto na qualidade dos chocolates.
O economista Valter Palmieri Júnior explica que, diante da escassez do cacau, é comum que a indústria aumente o uso de outros ingredientes, reduzindo a proporção da matéria-prima na composição dos produtos.
Diante desse cenário, especialistas veem uma oportunidade para o Brasil expandir sua produção de cacau e reduzir a dependência das importações.
A previsão é que a produção nacional suba de 170 mil toneladas em 2024 para 200 mil toneladas em 2025, embora ainda insuficiente para suprir totalmente a demanda interna.
A Páscoa de 2025 promete ser mais cara, e os consumidores podem sentir os efeitos tanto no bolso quanto na qualidade dos produtos.