“Ele veio por cima e estourou uma garrafa de vidro de 600 ml no meu rosto.”
Este é um trecho do relato da gerente comercial Tatiana Marino de Melo, de 46 anos, que acusa o proprietário do Boteco Dona Tati, conhecido por reunir rodas de samba, de agressão.
O bar está localizado na Rua Conselheiro Brotero, em Santa Cecília, no Centro de São Paulo, e o episódio ocorreu na noite do último sábado (22).
Na data, a mulher estava acompanhada do marido e de um casal de amigos. Era a terceira vez que ela visitava o local.
Segundo a gerente comercial, ela e os amigos estavam curtindo o samba na área externa, próximo à saída, quando moveram o bistrô — que é uma mesa alta e redonda — de lugar.
“A gente puxou um pouquinho, nem 30 centímetros, para que outras pessoas pudessem usar também”, explicou.
Pouco depois, um homem — até então desconhecido — se aproximou e questionou a mudança: “Quem mandou vocês mexerem no bistrô?”
Ela explicou a situação e devolveu a mesa à posição original. Contudo, ela relata que o homem continuou a importuná-la.
A gerente comercial tentou ignorar a situação e voltou a assistir ao samba, mas Thiago seguiu incomodando-a.
Quando seu marido retornou do banheiro e questionou o comportamento de Thiago, o agressor começou a discutir mais uma vez. Diante da hostilidade, o grupo decidiu sair para a calçada.
Clientes que haviam compartilhado a mesa com Tatiana também se solidarizaram e a acompanharam para a saída do bar. O segurança do estabelecimento teria tentado minimizar a situação, dizendo: “Não liga não, ele está bêbado”.
Quando Tatiana se preparava para ir embora, um frequentador do bar fez um comentário sobre o comportamento agressivo do dono: “O cara está muito louco”.
Então, inesperadamente, Thiago atacou a mulher por cima do rapaz, estourando a garrafa de vidro em seu rosto. O impacto da pancada a deixou momentaneamente inconsciente, dando início a uma briga generalizada, incluindo seu marido e amigos.
“Meu rosto ficou todo ferido. Tive cortes profundos no braço. Tive um corte profundo na boca, mas graças a Deus, a minha cicatrização é muito boa.”
Após a agressão, Tatiana tentou buscar ajuda de policiais militares, que estavam com uma viatura estacionada próximo ao bar.
Porém, segundo a vítima, um dos agentes foi “totalmente irônico” e não a ajudou.
Diante da confusão generalizada no bar, os PMs escoltaram o agressor para o interior do estabelecimento e fecharam as portas.
Sem qualquer suporte da polícia ou do estabelecimento, o casal se dirigiu até um pronto-socorro da região por conta própria.
O caso foi registrado como lesão corporal no 89° Distrito Policial do Jardim Taboão. Na segunda-feira (24), a vítima prestou uma queixa-crime contra o agressor no 77° Distrito Policial da Santa Cecília, que atende a região dos fatos.
Questionada sobre a conduta dos policiais militares e sobre a investigação, a Secretaria da Segurança Pública não retornou até a última a atualização desta reportagem.